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Carta aberta ao Ministro da Saúde

No Dia Nacional da Saúde, pensemos o que verdadeiramente importa à população. Entendendo a amplitude do conceito, desde o saneamento básico até a sanidade mental, temos uma grande estrada pela frente.

Por: Renata Vilhena Silva

São Paulo, 05 de agosto de 2016

Assunto: Dia Nacional da Saúde

Exmo. Senhor Ministro da Saúde Ricardo Barros:

Não é necessário dizer o quanto a função de quem ocupa o posto de Vossa Excelência é importante para o povo brasileiro, já que não existe vida plena nem dignidade humana, sem acesso à saúde. 

No Dia Nacional da Saúde, pensemos o que verdadeiramente importa à população. Entendendo a amplitude do conceito, desde o saneamento básico até a sanidade mental, temos uma grande estrada pela frente. O Brasil é um país com extensão territorial gigante, desigual, com realidades distintas e cada pessoa tem suas particularidades.

Ao assumir o ministério, Vossa Excelência falou da impossibilidade de cumprir o que está na Constituição Federal (a saúde é um bem universal) e repactuar com a sociedade. Não acha que antes de acordar um novo pacto social e atropelar a Carta Maior, mostra-se mais prudente arrumar internamente a casa e verificar por onde escapam os 110 bilhões destinados à saúde, que não chega aos que mais necessitam? 

O SUS, que sempre foi referência mundial, está abalado pela má gestão, desperdício, corrupção e por parasitas que migram do sistema privado, já que as operadoras de saúde não cumprem o que prometem e deixam desassistidos os beneficiários. 

São tarefas urgentes rever os propósitos da ANS, que parece não lembrar de sua finalidade essencial, qual seja fiscalizar e garantir o bom funcionamento da Saúde Suplementar. 

Operar de forma cooperativa com o Ministério da Educação, para que os cuidados básicos com a pessoa e as boas práticas sejam adotados desde o nascimento, para que médicos e cuidadores tenham os instrumentos necessários e sejam orientados a ser mais humanos no tratamento, ademais quem lida com a saúde tem que ter um compromisso sério com a solidariedade. 

Já não somos mais um país jovem, o envelhecimento populacional preocupa e temos de ter mais atenção com o idoso, desprezado pelos planos de saúde ou aviltado com reajuste abusivos, justamente quando a força de trabalho não existe e o poder aquisitivo vem da baixa aposentadoria. 

As campanhas publicitárias do ministério de Vossa Excelência, por exemplo, poderiam ser obtidas com parcerias público-privadas, muito comuns nos países desenvolvidos, sem que o Governo tivesse de dispender vultosas somas de dinheiro com elas. As agências de propaganda ou empresas que trabalham para a União poderiam ter uma cota pró-bono destinada à saúde educação. Poderiam também ser realizadas mais consultas públicas.

Enfim, há muito por ser feito. Um bom (no sentido técnico e ético) time de gestores poderia auxiliá-lo a arrumar a casa. 

E antes que o Brasil adoeça,  Excelência, lembremos da frase de Mario de Andrade, que tão bem soube retratar o País: “Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são” (Macunaíma – O herói sem nenhum caráter, 1928). Avançamos pouco, quase um século depois, e como é difícil combater as saúvas que vivem subterraneamente e destroem plantações da noite para o dia, não acha plausível confabular com os homens, que padecem da mesma dor quando o assunto é saúde?