Reajustes de planos de saúde coletivos podem ser controlados pela ANS

Percentual máximo para aumento seria definido de acordo com porte e número de beneficiários das operadoras.

Reajustes de planos de saude coletivos

Os reajustes dos planos de saúde coletivos, individuais ou familiares podem passar a ser controlados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que estabeleceria um teto para os aumentos. É o que determina Projeto de lei do Senado (PLS 100/2015), que está em tramitação da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, que tem como objetivo garantir maior proteção aos beneficiários da saúde suplementar.

A ideia é permitir que o índice de reajuste máximo possa ser definido de acordo com a modalidade do contrato, o porte da operadora e o número de beneficiários, o que certamente irá proteger os pequenos contratantes sem prejudicar o poder de negociação dos grandes.

A proposta, de autoria do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), altera a lei que instituiu a ANS. Atualmente, está entre as atribuições da agência estipular limites para o aumento dos contratos individuais. Para os coletivos, no entanto, vale a livre negociação que tem como mote promover maior possibilidade de barganha entre operadoras e empresas na hora da contratação do plano de saúde.

O relator do projeto na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), senador Airton Sandoval (PMDB-SP), apresentou um substitutivo ao projeto. Para ele, ao mudar a lei que rege a ANS, o Congresso estaria extrapolando sua competência e legislando sobre matéria exclusiva do Poder Executivo. Sandoval, então, propõe a alteração de uma específica sobre as regras de plano de saúde, e não a lei que rege a ANS.

Para a advogada especializada em direito à saúde, Renata Só Severo, do escritório Vilhena Silva Advogados, é preciso que a agência controle os percentuais aplicados e os deixe o mais próximo aos estipulados para contratos individuais.

— Também é importante que a ANS seja imparcial e não sofra pressões do setor, pois quem mais perde com isso são os beneficiários — acrescenta a advogada.

Renata lembra que o cenário atual para os planos de saúde coletivos é bastante delicado, uma vez que a ANS apenas recebe os percentuais que serão aplicados, sem qualquer ingerência nos valores cobrados.

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— Percebe-se que o número de ações discutindo os reajustes por sinistralidade vem aumentando de forma significativa, em razão da falta de condições financeiras dos beneficiários em arcar com valores tão elevados de reajuste.

Fonte: O Globo